Excertos cenicos de comedia

por Vitor RAPOSO, diretor do Centro Tambo Tambulani Tambo de Pemba

Grande parte das comedias em Mocambique tem como personagem o curandeiro. Eis alguns excertos de certas pecas de teatro.

Capulanas raras

Rufar de batuque faz perceber a carga mitica da cerimonia.
Curandeiro- Qual e o problema?
Pai- Estamos ouvir que a nossa filha foi para a cidade. Mas a verdade nao sabemos. E ela desapareceu assim mesmo de casa. Nao despediu nem ao proprio noivo que tinha pago dinheiro e dois cabritos  para a cerimomia de iniciacao das raparigas. Por isso mais velho, faca maneira e traga a nossa filha de volta.
Escuta-se um pouco mais de batucada e…
Curandeiro- Concerteza ele esta na cidade, estou a ver aqui no espelho.
Mae- Posso ver?teatro Raposo
Curandeiro- Nao; Nao pode! Senao estraga tudo.
Mae- Esta fazer o que?
Curandeiro- Nao pergunta muitas coisas. Tem capulana?
Mae- Sim!
Curandeiro- Galinha?
Pai- Sim-sim!
Curandeiro- (  ) Pronto. Leva este remedio e deixa no quarto dela. Ha-de voltar!
Mae- Ha-de voltar mesmo?
Curandeiro- Esta-me desconfiar?
Mae- Nao!
Curandeiro- Pronto; Vao la embora.

Rufares de denuncia (Dondocha)

O batuque soa de novo e logo a seguir vibra o rabo de animal preto. Desta vez vibra apontando as alturas. Ngori chamou o seu ajudante e deu ordens para subir o coqueiro que ali se encontra. Mais uma vez o homem bebeu o liquido da garrafinha e cuspiu para o caule da planta. So depois a subiu. Chegado ao cimo, teve que perguntar qual dos cocos devia tirar, a que Ngori lhe indicou o exacto. O coco chegou ao chao e foi dada a ordem para o descascar. Era uma operacao que exigia um certo cuidado. Foram seguidos os devidos rigores e o coco foi aberto numa das extremidades. Exactamente aquele que prende o fruto a arvore. O Ngori introduziu a mao no interior do fruto e retirou o velho pela gola da camisa. O velho conseguiu uma vez mais escapar das maos do Ngori  e foi-se refugiar num mangal.
Ngori- Vamos esperar. Quando a mare encher ele vai sair. Nao pode permanecer por muito tempo no mangal.
Pouco depois, o velho aparece com agua pelo peito. Quando quis vir para terra tornou-se um quadrupede. Um grupo de mulheres aproximou-se do velho aos gritos e escurracou-o a pedrada. O velho introduziu-se de novo na agua.
Mulher 1- Anda ca seu malandro; Hoje vais-me explicar como e que voce dormia comigo sem eu perceber. Quem te disse que eu sou tua mulher? Bandido! Podes nao vir mais; Morre ai mesmo!

Testes em dia

Malindi vem de mota, para e pergunta:
Malindi- Meus senhores, desculpem. Nao viram por aqui um cao? E um cao grande; Estavamos numa boa e de repente desapareceu. Percebi que e um cao que perdeu o dono . E falei com ele. O gajo lambeu-me, ficou contente, e ate riu-se. E verdade! Eu Malindi nao posso mentir, sou carpinteiro.
Chegado a casa:teatro Rapso
Ruquia- Eu nao quero cao aqui em casa!
Malindi- Porque?
Ruquia- E para voce dormir com ele e depois vir dormir comigo?
Malindi- Como e que eu posso fazer uma coisa dessas Ruquia?
Ruquia- Nada! Nao quero! Depois esta-te a lamber
Malindi- Mas eu tomo banho, mulher! E nao estou para trocar o cao contigo.
Ruquia vai ao curandeiro e e atendida apos as devidas venias tradicionais.
Ruquia- Eu tenho um problema la em casa. O meu marido casou com cao.
Curandeiro- Casou com cao como?
Ruquia- Tem um cao que chegou la em casa e agora o meu marido ja nao pensa mais em mim; So pensa no cao.
Curandeiro- Mas o seu marido chegou de falar com a familia do cao?
Ruquia- Isso nao sei.
Curandeiro- O seu marido costuma dormir com o cao?
Ruquia- Falta pouco.
Desenvolve-se um ritual tipico.
Curandeiro- Senhora, o seu marido esta doente.
Ruquia- Como sabe?
Curandeiro- Sou curandeiro!(  ) Tem lamina?
Ruquia- Sim; tenho (tirando)
Curandeiro- E nova?
Ruquia- Sim; E nova!
Procede-se a vacina tradicional.
Curandeiro- Senhora, deixa o cao ficar la em casa. O seu marido precisa do cao, mas a mulher dele e voce.
Ruquia- (Com alguma duvida balbuciou) Não esperava que o malandro fosse arranjar a terceira mulher .
Curandeiro- Como disse?
Ruquia- Nada, so estou a falar para dentro.
(CONTINUA …)